Faour assina crítica do novo CD de Hebe Camargo, na Folha de S. Paulo
Queridos, graças aos apoios maravilhosos da Conexão Filmes, do som de Carlos Mills, da iluminação de Bimbão e da querida Angela Leal, que nos cedeu a arena do Teatro Rival, gravamos ontem, dia 16, às 19h30, o DVD Lana Bittencourt – A diva passional. Aos 78 anos e 56 de carreira, a veteraníssima cantora do rádio ganha finalmente seu primeiro registro audiovisual, corrigindo uma injustiça histórica.
Especialista em cantar em vários idiomas nos anos dourados, graças ao seu passado de crooner, a cantora fez um passeio pelo melhor de seu repertório nativo e internacional, incluindo também canções que foram entrando em seus shows a partir dos anos 80, depois de uma fase (os 70), em que havia se afastado da carreira por razões familiares.
O show contou com as participações luminosas de Ney Matogrosso, Rogéria e de sua neta Mariana Braga, que herdou da avó o vozeirão.
Na última quarta-feira, dia 10 de junho, reuni no Centro Cultural Carioca alguns dos melhores artistas da música brasileira (vide fotos de Cristina Lacerda). Foi, sem dúvida, a noite mais emocionante da minha vida. Comemorando 1 ano do meu programa SEXO MPB na MPB FM, inventei um talk-show com direito a canjas de intérprtes de vários estilos e gerações, e para coroar ainda mais a noite, tirei da cartola o “Troféu Sexo MPB” que concedi ”a todos os que contribuíram para a MPB ficar mais sexy e quente”. Em verdade, foi uma boa desculpa para se ouvir artistas de verdade, gente que canta ou compõe com emoção verdadeira – quebrando barreiras etárias e do que seria supostamente brega ou chique. Hoje em dia há poucos eventos desta natureza, cada tribo fica na sua toca e eu acho isso muito limitador. Por isso, me encheu de felicidade trazer ao palco as veteranas Ademilde Fonseca (88 anos) e Lana Bittencourt (77), num mesmo evento onde todos puderam conferir novos talentos da maior qualidade, como a cantora baiana Márcia Castro que se apresentou com o multi-instrumentista Donatinho, além da cantriz Gottsha, do vozeirão do carioca Márcio Gomes e do balanço do pernambucano André Rio (do famoso bloco Galo da Madrugada). Além disso, recebi as eternas divas exuberantes Perla (paraguaia, há 39 anos no Brasil) e Vanusa, as classudas Fátima Guedes e Marina Lima, os irreverentes Eduardo Dussek e Fausto Fawcett, o grande astro da sensualidade negra Toni Garrido, além de quatro deliciosas Frenéticas originais (Lidoka, Leiloca, Dhu Moraes e Sandra Pêra) e o ícone-mor da sensualidade na música brasileira: Ney Matogrosso. Haja coração, né gente?
Confira as divertidas categorias do Troféu Sexo MPB:
Veja todas as fotos da festa aqui.
Veja também a matéria de Christina Fuscaldo. Não concordo que tenha sido uma noite com tantas “bobagens”, como ela diz no título, mas é uma matéria simpática, que explica por alto o que rolou na noite. Ah! E a primeira grande emoção da noite foi Lana Bittencourt cantando “Sangrando”. Que fique aqui registrado!
(O melhor da) Bossa Nova – Série “Maxximum” (SonyBMG, 2006)
Muitos tentaram enterrar a bossa nova, mas não conseguiram. Porque enquanto houver bom gosto e sutileza no mundo, ela terá sempre o seu lugar. Que o digam os grandes intérpretes que fazem parte deste CD, que inclui raridades interessantes, como Corcovado (com a grande diva da Era do Rádio, Lana Bittencourt) e gravações que nem sempre figuram em coletâneas do gênero, como Ponteio (Astrud Gilberto), Fim de noite (Elza Soares) e Bananeira (Joyce e João Donato), ale de nomes da nova geração que abraçaram o movimento, como Paula Morelembaum, Celso Fonseca, o grupo Bossacucanova e as duas filhas de Joyce – Ana Martins e Clara Moreno. Rodrigo Faour
(*) raridades
1 Malagueña (Ernesto Lecuona/ versão: Julio Nagib) (1955)
2 Johnny Guitar (Victor Young/ versão: Julio Nagib) (1955)
3 Andalucia (Ernesto Lecuona/ versão: Julio Nagib) (1955)
4 Zezé (Baião internacional) (Humberto Teixeira) (1956)
5 Quero-te assim (Tito Madi) (1959)
6 Além (do céu) (Edson Borges/ Sidney Morais) (1958)
7 Se alguém telefonar (Alcyr Pires Vermelho/ Jair Amorim) (1958)
8 Summertime (George Gerswhin/ Du Bose Heyward) (1958)
9 Little darlin’ (M. Williams) (1958)
10 Haja o que houver (Fernando César) (1957)
11 Longe é o céu (Tom Jobim) (1961)
12 Chorou, chorou (Luiz Antonio (1961)
13 Ave Maria (Jayme Redondo/ Vicente Paiva) (1957)
INÉDITAS
14 Caminhemos (Herivelto Martins) (1964)
15 Rio de Janeiro (Isto é o meu Brasil) (Ary Barroso) (1962)
16 Ternura (Lyrio Panicalli/ Amaral Gurgel) (1964)
OBS: Acompanha texto biográfico no encarte
Jornal do Brasil – Tárik de Souza