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O canto magistral da Sabiá Marrom, Alcione, em CD de raros e inéditas

Garimpando fonogramas no acervo da Unviersal Music, descobri joias da fase áurea da cantora Alcione, da época em que o samba ditava as regras em seu repertório, ou seja, os anos 70 e sua voz era um diamante ainda mais precioso do que é hoje, com todos os graves e agudos que têm direito. Uma das minhas descobertas foi o samba Sabiá marrom, composto pelo maestro francês Paul Maurriat nos anos 70, encantado com a voz da cantora. Ela ganhou letra de Paulinho Rezende e Totonho, mas nunca foi registrada em seus discos. Permanecia inédita, bem como o samba recheado de lirismo Por do sol, do compositor angolano André Mingas (com Manuel Rui). O samba baiano Não suje o meu caixão (Panela/ Garrafão) é outra pérola inédita que encontrei, bem como registros em espanhol de O surdo e Sufoco para um compacto argentino.

A Marrom veio do Maranhão para a Cidade Maravilhosa em 1968, participou de programas de calouros e virou crooner da noite. Em 72, finalmente foi descoberta por Roberto Menescal (com a ajuda de Jair Rodrigues) durante uma temporada na boate paulista Blow up. A partir daí, o produtor tentou de tudo para emplacar sua pupila. Não foi fácil. Ela só veio a estourar no primeiro LP, A voz do samba, em 1975. Os compactos e participações que ela fez antes do primeiro LP não tiveram a menor repercussão, mas são gravações excelentes que vale a pena ser revividas agora.

Fecham o CD três duetos realizados a partir da segunda metade dos anos 70, quando a Marrom já estava estourada – com João Nogueira (De babado), Chico Buarque (O casamento dos pequenos burgueses) e Leci Brandão (Fim de festa), um mais delicioso que o outro.

Todas essas faixas e mais as inéditas já citadas estão no CD Sabiá Marrom – O samba raro de Alcione, que produzi para a Universal Music. Desde já, um dos melhores discos do ano para quem gosta de boa voz, boa interpretação, boa música e bons arranjos. Que dá saudades de um tipo de MPB que não volta mais.

 

 

1. Sabiá marrom (Paul Mauriat/ Gueraut Delanoe/ Totonho/ Paulinho Rezende), 1979 (INÉDITA)  Sobra do LP “Gostoso veneno”, de 1979 

 2. Por do sol (André Mingas/ Manuel Rui), 1980 (INÉDITA)  Sobra do LP “E vamos a luta”, de 1980)

3. Festa do Círio de Nazaré (Aderbal Moreira/ Dario Marciano/ Nilo Mendes), 1975  Do Compacto “Os melhores sambas enredo de 1975”  Philips 6245.037

4. Não suje o meu caixão (Panela/ Garrafão), 1975 (INÉDITA)  Sobra do LP “A voz do samba”, de 1975

5. Tem dendê (Reginaldo Bessa/ Nei Lopes), 1973  Do Compacto Simples “Alcione” Philips 6069.080

6. Pinta de sabido (Capoeira/ Rubens), 1973  Do Compacto Simples “Alcione” Philips 6069.080

7. Imagens poéticas de Jorge Lima (Tolito/ Mosar/ Delson), 1975   Do Compacto “Os melhores sambas enredo de 1975”  Philips 6245.037

8. Figa de guiné (Reginaldo Bessa/ Nei Lopes), 1972   Do Compacto Simples “Alcione” Philips 6069.058

9. O sonho acabou (Gilberto Gil), 1972  Do Compacto Simples “Alcione” Philips 6069.058

10. O mundo fantástico do Uirapurú (Tatu/ Nezinho/ Campo), 1975   Do Compacto “Os melhores sambas enredo de 1975” Philips 6245.037

11. Desafio (Luiz Américo/ Bráulio de Castro/ Clóvis de Lima), 1973  Do LP “Máximo de sucessos Nº 9” Fontana Special 6470.507

12. Planos de papel (Raul Seixas), 1974  Do LP da trilha da novela “O Rebu” Som Livre 403.6059

13. Linda flor (Henrique Vogeler/ Marques Porto/ Luiz Peixoto), 1974  Do LP “Máximo de sucessos Nº 11” Fontana Special 6470.522

14. Fim de festa (Rosinha de Valença/ Leci Brandão) – com Leci Brandão, 1980  Do LP Leci Brandão “Essa tal criatura”, Polydor 2451.146

15. O casamento dos pequenos burgueses (Chico Buarque) – com Chico Buarque, 1979  Do LP Chico Buarque – “Ópera do Malandro” Philips 6349.400/1

16. De babado (Noel Rosa/ João Mina) – com João Nogueira, 1981   Do LP João Nogueira “Wilson, Geraldo e Noel” Polydor 2451.170

17. O segredo das minas do Rei Salomão (Nininha Rossi/ Dauro/ Zé Pinto/ Mário Pedra), 1975  Do Compacto “Os melhores sambas enredo de 1975” Philips 6245.037

18. Tem dendê (ao vivo) (Reginaldo Bessa/Nei Lopes), 1973  Do LP “Catedral do samba” Polyfar 2494 520

19. El bombo (“O surdo” em espanhol) (Totonho/ Paulinho Rezende – versão: Luiz A. Ferrer), 1980  Do compacto argentino 45 rpm Philips 0000145

20. Que dilema (“Sufoco” em espanhol) (Chico da Silva/ Antonio José), 1980  Do compacto argentino 45 rpm Philips 0000145

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Coletâneas

Cartola bate outra vez – Vol. 2

Cartola bate outra vez – Vol. 2 – Vários intérpretes (Som Livre, 2008)

Em 1988, foi produzido o álbum Cartola, bate outra vez, onde diversos grandes nomes da MPB regravaram 12 das mais famosas canções de sua obra. O disco foi um sucesso e nunca parou de vender. Eis que 20 anos depois temos este segundo volume com mais 14 sambas para homenagear seu centenário, compilando registros históricos que vão dos anos 70 aos dias atuais. Rodrigo Faour

1. Alvorada – Maria Bethânia e Hermínio Bello de Carvalho
2. Divina dama – Chico Buarque
3. Basta de clamares inocência – Elis Regina
4. Festa da vinda – Cauby Peixoto e Zeca Pagodinho
5. Não quero mais a mar a ninguém/ Peito vazio/ Acontece – Emílio Santiago
6. O inverno do meu tempo – Elizeth Cardoso
7. Sim – Nelson Gonçalves
8. Tempos idos (ao vivo) – Paulinho da Viola e Toquinho (violão)
9. Qual foi o mal que eu te fiz? – Dona Inah
10. Ensaboa – Ney Matogrosso
11. Labaredas – Joanna
12. Eu sei – Alcione e Cartola
13. Que sejam bem-vindos – Beth Carvaho
14. Que seja bem feliz – Clara Nunes

Seleção de repertório e textos: Rodrigo Faour

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Chico Buarque Essencial (Caixa de 4 CDs e 1 DVD)

Chico Buarque Essencial (Caixa de 4 CDs e 1 DVD) (SonyBMG, 2008)

Esta caixa resume o essencial da obra de Chico Buarque em quatro temas: Samba e amor; Todo o sentimento; Cotidiano e Entre amigos, paratodos. São 56 faixas reunindo canções de todas as fases do cantor e compositor. De Pedro Pedreiro, composta em 1965, até Renata Maria, de 2005, incluindo ainda duas regravações inéditas: Tanto amar e Samba do grande amor. Além dos quatro CDs, trazemos o DVD No país da Delicadeza Perdida, especial que Chico estrelou para a televisão francesa em 1990, dirigido por Walter Salles e Nelson Motta, com direito a participações de Gal Costa e Gilberto Gil. Rodrigo Faour

Contracapa da caixa “Chico Buarque Essencial”
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Reedições

Chico Buarque de Hollanda e Noel Rosa na voz de Isaura Garcia (1968) / Série "As Divas"

Isaura Garcia – Chico Buarque de Hollanda e Noel Rosa na voz de Isaura Garcia (1968) (Warner Music, 2006)

Isaura Garcia (1919-1993) foi a primeira cantora de São Paulo a obter projeção nacional. De molejo imbatível no samba sincopado ou no samba-canção, ela apresentava lado a lado, neste LP de 1968, dois dos maiores compositores brasileiros: Noel Rosa e seu discípulo Chico Buarque, que na ocasião com apenas três anos de carreira já aparecia com a alcunha (merecida) de gênio. Aliás, é ele mesmo quem assinava a contra-capa original deste LP (transcrita no encarte deste CD). Um biscoito finíssimo para paladares apurados. De Último desejo a Carolina, sem escalas. Rodrigo Faour

1. Januária
2. Triste cuíca
3. Com açúcar, com afeto
4. Eu sei sofrer
5. Olé, olá
6. O século do progresso
7. Último desejo
8. Tem mais samba
9. Feitio de oração
10. Fica
11. Suspiro
12. Carolina

Reedição produzida por Rodrigo Faour
Coordenação de produção da reedição: Adriana Ramos
Gerente de marketing estratégico: Gian Ucello

Opinião da imprensa

O Estado de S. Paulo – Lauro Lisboa Garcia

Revista Quem – Marcus Preto

O Globo – Antonio Carlos Miguel

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Coletâneas

Beth Carvalho e Amigos

Beth Carvalho e Amigos (BMG, 2005)

Musa e madrinha de nove entre dez figuras do samba carioca, Beth carvalho está rodeada de amigos de diversos matizes nesta coletânea. Sejam eles colegas de geração (Chico Buarque, Caetano Veloso, Fagner, Paulinho Tapajós), da velha guarda de nossa música (Nelson Gonçalves, Nelson Cavaquinho) ou afilhados mais novos (Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Grupo Fundo de Quintal), passando por divas imortais como Dona Ivone Lara e Mercedes Sosa. Um caldeirão sonoro que traduz com perfeição a alma do Brasil. Rodrigo Faour

Opinião da imprensa

O Globo – João Pimentel