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Entrevistas

Faour estreia o programa bilíngue “MPB com Tudo Dentro”, em seu canal do YouTube

Depois de escrever seis livros; de ter seu nome nos textos e fichas-técnicas de mais de 600 CDs, incluindo 18 boxes com obras de mitos da MPB como Elis, Nana Caymmi, Mutantes, Bezerra da Silva e Bethânia; de criar e apresentar programas de rádio e de TV (no Canal Brasil); de dirigir e roteirizar shows, como o recente “Ruído branco”, de Ana Carolina”, “Duas Feras perigosas”, de Sandra Pêra & Dhu Moraes, e “Infernynho”, de Ney Matogrosso e Marília Bessy; e de dar cursos e palestras em todo país, o jornalista, produtor e historiador de música brasileira RODRIGO FAOUR decidiu se reinventar.

A partir do dia 22 de agosto, estreia o MPB COM TUDO DENTRO, um programa semanal na internet, criado e apresentado por ele, no seu próprio canal, youtube.com/rodrigofaouroficial.

“Quis dar uma sacudida na mesmice. Vivemos uma época de muita massificação na música mundial, e na brasileira nem se fala. Quero mostrar o melhor da música criativa dos novos e resgatar o nosso legado deslumbrante do passado, por meio de entrevistas inéditas, pequenas palestras e vídeos raros do meu baú, para que velhos fãs e a nova geração tenham um produto de qualidade de divulgação da nossa música mais criativa. E estou fazendo isso de uma maneira contemporânea, bem direta, explorando as facilidades das novas tecnologias”, diz FAOUR.

Edy Star, Rodrigo Faour e Ney Matogrosso no programa MPB COM TUDO DENTRO
Edy Star, Rodrigo Faour e Ney Matogrosso na estreia do programa MPB COM TUDO DENTRO

O conteúdo e a linguagem

MPB COM TUDO DENTRO irá ao ar toda terça-feira, alternando três tipos de formato: 1) Pequenas aulas sobre movimentos musicais, curiosidades ou resgates da obra de artistas importantes da música brasileira; 2) vídeos de seu baú, de produções que teve a oportunidade de registrar a imagem e que até agora se mantinham inéditas; e, finalmente (e principalmente), 3) entrevistas atuais com ícones da nossa música de várias épocas, incluindo novos talentos que ele aposta.

“Acredito que existe um público na internet disposto a se divertir, mas também a se informar sobre a nossa música criativa e que nem sempre encontra esse conteúdo facilmente”, acredita Faour. “Muita gente jovem que gostaria de conhecer um pouco mais sobre o assunto e é carente de uma fonte confiável ou de uma direção de por onde começar vai encontrar abrigo no meu canal. Fora isso, há também um público mais adulto que chegou à rede e ainda não encontrou um programa musical a seu gosto”.

O programa terá uma linguagem dinâmica, própria de internet, trazida pelo produtor, editor e videomaker RODY MARTINS, famoso por seus divertidos clipes com a Rainha do Bumbum, Gretchen, que a trouxeram de volta ao sucesso nos últimos anos. “É leve sem ser superficial, e vai ter o humor e a dobradinha de música e comportamento que são marcas de toda a minha obra”, entrega o autor de “História sexual da MPB”, um livro que já virou programa de rádio, TV, show, CD, DVD e até um troféu. “A ideia é numa mesma entrevista alternar pautas mais sérias com outras bem divertidas, incluindo testes e brincadeiras com os artistas”, diz.

“Da mesma forma, minhas palestras sobre temas da música brasileira serão bem informais, sempre destacando detalhes pitorescos e de viés comportamental, contextualizando canções, personagens e movimentos musicais com as épocas em que foram produzidos. Isto gera um interesse de quem não conhece o tema, para além da parte musical”, complementa.

Os primeiros programas

A estreia, dia 22, será com uma entrevista reunindo “Os Pioneiros Transgressores” sexuais na música brasileira, EDY STAR & NEY MATOGROSSO, nos bastidores do novo CD de EDY, primeiro artista a se assumir gay no Brasil, produzido por Zeca Baleiro. Na sequência, dia 29, o making of do encontro de EDY com NEY e seu velho amigo e conterrâneo, CAETANO VELOSO, nas gravações de seu disco temporão, já que seu único e cultuado álbum solo até então data de 1974. Além de cantarem juntos, os três falam sobre transgressões no meio musical e sobre o que era a cultura gay no Brasil dos anos 50 e 60, e no Rio de Janeiro “desbundado” dos anos 70.

Edy Star, Rodrigo Faour e Caetano Veloso no programa MPB COM TUDO DENTRO
Edy Star, Rodrigo Faour e Caetano Veloso no segundo episódio do programa MPB COM TUDO DENTRO

Até o fim do ano, FAOUR já tem gravadas entrevistas também com outros artistas que transgrediram nesta mesma linha de gênero, como a veterana MARIA ALCINA, que acaba de lançar “Espírito de tudo”, um álbum só com canções de Caetano Veloso, e nomes da nova geração, como JOHNNY HOOKER e o coletivo NÃO RECOMENDADOS (de CAIO PRADO, DANIEL CHAUDON e DIEGO MORAES). Todos dão canjas em números exclusivos, ao vivo, para o programa. Há ainda o encontro inédito de HOOKER & MARIA ALCINA num “quiz” divertido, baseado nas letras de músicas vingativas de JOHNNY.

Johnny Hooker, Rodrigo Faour e Maria Alcina num dos episódios do MPB COM TUDO DENTRO
Johnny Hooker, Rodrigo Faour e Maria Alcina num dos episódios do MPB COM TUDO DENTRO

A multifacetada ELZA SOARES, a sambista e ativista LECI BRANDÃO, a diva paraguaia PERLA, o veterano AGNALDO RAYOL e o lambadeiro alagoano GIVLY, da BANDA FIGUEROAS também já registraram entrevistas reveladoras para o MPB COM TUDO DENTRO, sendo que este último, de apenas 23 anos, mostra que é um expert em cultura pop brasileira dos anos 60, 70 e 80, mostrando discos de sua coleção de vinil, e respondendo a testes de FAOUR, sobre as divas bregas brasileiras e as Musas Peladas, ou seja, as que posaram nuas, analisando as revistas Playboy e Status da época, e elegendo suas favoritas em três categorias.

Alternadas às entrevistas, haverá pequenas palestras sobre temas da MPB. Curador da caixa de 15 CDs, “JACKSON DO PANDEIRO, o Rei do Ritmo” (Universal Music), ele dedica, por exemplo, um programa inteiro à memória do grande cantor, compositor e pandeirista paraibano, contando fatos pitorescos de sua biografia, intercalados com alguns números musicais. Mais adiante, dedica outro às capas minimalistas e sofisticadas da bossa nova, e diretamente do seu baú, mostra um encontro inédito da Rainha do Choro, ADEMILDE FONSECA com o Rei do Sambalanço, MILTINHO, na festa de lançamento de seu programa de rádio da extinta MPB FM, no Centro Cultural Carioca, em 2008.

Apelo internacional

Outra grande novidade é que todos os vídeos do MPB COM TUDO DENTRO serão legendados em inglês, de modo a atrair também os amantes da música brasileira que vivem no exterior, mas não entendem nossa língua nativa. “Viajei pra Nova York em julho, e entrando em contato com músicos estrangeiros que vivem lá, decidi também investir no formato bilíngue. O tipo de música brasileira criativa que eu gosto e divulgo também tem fãs fora daqui. Por isso quero colaborar para romper essas fronteiras e criar um intercâmbio com gente do mundo todo. Neste momento de crise do mercado para a música brasileira mais diversa e criativa, precisamos unir forças ampliar seu raio de atuação”.

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Discos

Microservice licencia catálogo da Copacabana e Faour emplaca alguns projetos

Pelos próximos três meses, estou à frente da produção de três projetos totalmente diferentes envolvendo o catálogo da Copacabana, que por ora está licenciado à MicroService. Para começar uma divertida coletânea de Gretchen (com direito a encarte caprichadíssimo, com fotos de todos os seus discos e um texto inédito meu sobre sua trajetória), uma caixa de Inezita Barroso (comemorando seus 60 anos de carreira) e um CD duplo de Agnaldo Rayol, enfocando um repertório que vai surpreender muita gente. Aguardem!

Matéria de Luiz Fernando Vianna - O Globo - 25/6/2011
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Coletâneas

Agnaldo Rayol – Série "Maxximum"

Agnaldo Rayol – Série “Maxximum” (SonyBMG, 2005)

Agnaldo Rayol iniciou sua carreira ainda menino e a partir no final dos anos 50 quando sua voz de adulto se estabilizou, acabou por firmar-se em sua carreira levando adiante o estilo impostado e operístico comum aos cantores da geração anterior à sua, de Vicente Celestino e Francisco Alves. No final dos anos 90 gravou quatro discos nos selos BMG e Sony, com clássicos do cancioneiro brasileiro e internacional, chegando voltar às paradas com Tormento d’amore, tema de abertura da novela Terra Nostra. Neste CD destaca-se, entre outras, o dueto imperdível com Ângela Maria em Ouvindo-te, bem como a regravação de O ébrio. Vozeirão afinado em repertório impecável. Rodrigo Faour

1 Tormento d’amore (Luis Schiavon/ Marcelo Barbosa/ Antônio Scarpellini) (1999)
2 Sangrando (Gonzaguinha) (1997)
3 O ébrio (Vicente Celestino)(1997)
4 Fascinação (Fascination) (Marchetti/ Armando Louzada) (1998)
5 Boa-noite, amor (José Maria de Abreu/ Francisco Mattoso) (1997)
6 Love me tender (Aura Lee) (Elvis Presley/ Vera Maison) (2000)
7 Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes) (1997)
8 Mia gioconda (Vicente Celestino) (1997)
9 When I fall in love (V. Young/ E. Heyman) (2000)
10 Ho capito che ti amo (Luigi Tenco) (1999)
11 Foi Deus (S. Manuel/ A. Fialho Janes) (1998)
12 E a vida continua (Evaldo Gouveia/ Jair Amorim) /
Acorrentados (Encadenados) (C.A.Britz/ Vrs. Genival Mello) (1997)
13 Um céu de estrelas tristes (Armando Nunes/ Finamor Pumar) (1998)
14 Moon river (J. Mercer-Henry) (2000)
15 Il mondo (Italo Nicola Grecco/ Giovanni Meccia/ Carlos Pes-Enrico Sbricciolli)
(1999)
16 Ouvindo-te (Vicente Celestino) – com Ângela Maria (1998)

Pesquisa de repertório: Rodrigo Faour

Coordenação da série: Flávio Pinheiro

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Coletâneas

Angela Maria – Série "Maxximum"

Ângela Maria – Série “Maxximum” (SonyBMG, 2005)
Quem viveu os anos 50 e 60 sabe que Ângela Maria foi a maior cantora de seu tempo, ou pelo menos, o timbre mais bonito de mulher a ecoar pelas ondas da Rádio Nacional. Ela sempre foi muito popular e do tipo que se entregava por completo ao seu repertório, incorporando os personagens das canções que interpretava. Ela podia ser a Garota solitária, a fadista compenetrada de Foi Deus, a macumbeira de Babalu ou uma carnavalesca de primeiro time, a entoar A lua é camarada ou raridades como Aprendiz de feiticeira – por sinal, duas das cinco faixas inéditas em CD desta coletânea. Outra rara é Estrela de bastidor, tema de Lili Bolero (Consuelo Leandro) na novela Cambalacho. Rodrigo Faour

1. Foi Deus (Alberto Janes) (1963)
2. A lua é camarada (Klecius Caldas/ Armando Cavalcanti) (1963)
3. Garota solitária (Adelino Moreira) (1962)
4. Não me perguntes (Adelino Moreira) (1962)
5. Desejo (Othon Russo/ Paulo Marques) (1952)
6. Ai, Mouraria (Frederico Valério/ Amadeu do Vale) (1963)
7. Babalú (ao vivo) (Margarita Lecuona) (1992)
RARIDADES
8. Estrela de bastidor (Faffy/ Sarah Benchimol) (1986)
9. Brigas de amor (Adelino Moreira) (1963)
10. Castigo ruim (Coelho Neto) (1963)
11. Aprendiz de feiticeira (Haroldo Lobo/ Milton de Oliveira) (1962)
DUETOS
12. Pensando em ti (Herivelto Martins/ David Nasser) – com Nelson Gonçalves (1984)
13. Codinome beija-flor (ao vivo) (Cazuza/ Reinaldo Arias) – com Cauby Peixoto (1992)
14. Miss Suéter (João Bosco/ Aldir Blanc) – com João Bosco (1976)
15. Tango para Teresa (Evaldo Gouveia/ Jair Amorim) – com Agnaldo Timóteo (1996)
16. Ave Maria no morro (Herivelto Martins) – com Agnaldo Rayol (1999)

Pesquisa de repertório: Rodrigo Faour
Coordenação da série: Flávio Pinheiro

Opinião da imprensa

Jornal do Brasil – Tárik de Souza

Folder da Série “Maxximum” (SonyBMG)