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Teatro

“Garota de Ipanema – O Musical da Bossa Nova”, com texto e pesquisa musical de Faour, estreia com grande sucesso em Sampa

O antigo musical “Bossa Nova em Concerto”, que teve uma aclamada temporada de três meses no Rio, foi inteiramente remodelado e agora rebatizado de “Garota de Ipanema – O Musical da Bossa Nova”. Em cartaz no Teatro Opus, do Shopping Villa-Lobos (SP), o musical tem dois atos, belo cenário, elenco de 10 atores/cantores e teve o texto de Rodrigo Faour e do diretor Sérgio Módena devidamente ampliado. Na estreia para convidados, no último dia 22 de setembro, houve uma canja do compositor Roberto Menescal, um dos criadores mais importantes do movimento, e uma homenagem à cantora Claudette Soares, que está presente inclusive no texto do espetáculo, ilustrando o auge do movimento da bossa nova em São Paulo, onde brilhava no Juão Sebastian Bar, ao lado do pianista Pedrinho Mattar e seu trio.

RODRIGO FAOUR, CLAUDETTE SOARES E ROBERTO MENESCAL na estreia de Garota de Ipanema - O Musical da Bossa Nova, em São Paulo
RODRIGO FAOUR, CLAUDETTE SOARES E ROBERTO MENESCAL na estreia de Garota de Ipanema – O Musical da Bossa Nova, em São Paulo
Rodrigo Faour e Claudette Soares (de preto) entre a ala femimina de cantoras/atrizes de Garota de Ipanema - O Musical da Bossa Nova
Rodrigo Faour e Claudette Soares (de preto) entre a ala femimina de cantoras/atrizes de Garota de Ipanema – O Musical da Bossa Nova

Garota de Ipanema - O Musical da Bossa Nova

Garota de Ipanema - O Musical da Bossa Nova

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Entrevistas

Faour estreia o programa bilíngue “MPB com Tudo Dentro”, em seu canal do YouTube

Depois de escrever seis livros; de ter seu nome nos textos e fichas-técnicas de mais de 600 CDs, incluindo 18 boxes com obras de mitos da MPB como Elis, Nana Caymmi, Mutantes, Bezerra da Silva e Bethânia; de criar e apresentar programas de rádio e de TV (no Canal Brasil); de dirigir e roteirizar shows, como o recente “Ruído branco”, de Ana Carolina”, “Duas Feras perigosas”, de Sandra Pêra & Dhu Moraes, e “Infernynho”, de Ney Matogrosso e Marília Bessy; e de dar cursos e palestras em todo país, o jornalista, produtor e historiador de música brasileira RODRIGO FAOUR decidiu se reinventar.

A partir do dia 22 de agosto, estreia o MPB COM TUDO DENTRO, um programa semanal na internet, criado e apresentado por ele, no seu próprio canal, youtube.com/rodrigofaouroficial.

“Quis dar uma sacudida na mesmice. Vivemos uma época de muita massificação na música mundial, e na brasileira nem se fala. Quero mostrar o melhor da música criativa dos novos e resgatar o nosso legado deslumbrante do passado, por meio de entrevistas inéditas, pequenas palestras e vídeos raros do meu baú, para que velhos fãs e a nova geração tenham um produto de qualidade de divulgação da nossa música mais criativa. E estou fazendo isso de uma maneira contemporânea, bem direta, explorando as facilidades das novas tecnologias”, diz FAOUR.

Edy Star, Rodrigo Faour e Ney Matogrosso no programa MPB COM TUDO DENTRO
Edy Star, Rodrigo Faour e Ney Matogrosso na estreia do programa MPB COM TUDO DENTRO

O conteúdo e a linguagem

MPB COM TUDO DENTRO irá ao ar toda terça-feira, alternando três tipos de formato: 1) Pequenas aulas sobre movimentos musicais, curiosidades ou resgates da obra de artistas importantes da música brasileira; 2) vídeos de seu baú, de produções que teve a oportunidade de registrar a imagem e que até agora se mantinham inéditas; e, finalmente (e principalmente), 3) entrevistas atuais com ícones da nossa música de várias épocas, incluindo novos talentos que ele aposta.

“Acredito que existe um público na internet disposto a se divertir, mas também a se informar sobre a nossa música criativa e que nem sempre encontra esse conteúdo facilmente”, acredita Faour. “Muita gente jovem que gostaria de conhecer um pouco mais sobre o assunto e é carente de uma fonte confiável ou de uma direção de por onde começar vai encontrar abrigo no meu canal. Fora isso, há também um público mais adulto que chegou à rede e ainda não encontrou um programa musical a seu gosto”.

O programa terá uma linguagem dinâmica, própria de internet, trazida pelo produtor, editor e videomaker RODY MARTINS, famoso por seus divertidos clipes com a Rainha do Bumbum, Gretchen, que a trouxeram de volta ao sucesso nos últimos anos. “É leve sem ser superficial, e vai ter o humor e a dobradinha de música e comportamento que são marcas de toda a minha obra”, entrega o autor de “História sexual da MPB”, um livro que já virou programa de rádio, TV, show, CD, DVD e até um troféu. “A ideia é numa mesma entrevista alternar pautas mais sérias com outras bem divertidas, incluindo testes e brincadeiras com os artistas”, diz.

“Da mesma forma, minhas palestras sobre temas da música brasileira serão bem informais, sempre destacando detalhes pitorescos e de viés comportamental, contextualizando canções, personagens e movimentos musicais com as épocas em que foram produzidos. Isto gera um interesse de quem não conhece o tema, para além da parte musical”, complementa.

Os primeiros programas

A estreia, dia 22, será com uma entrevista reunindo “Os Pioneiros Transgressores” sexuais na música brasileira, EDY STAR & NEY MATOGROSSO, nos bastidores do novo CD de EDY, primeiro artista a se assumir gay no Brasil, produzido por Zeca Baleiro. Na sequência, dia 29, o making of do encontro de EDY com NEY e seu velho amigo e conterrâneo, CAETANO VELOSO, nas gravações de seu disco temporão, já que seu único e cultuado álbum solo até então data de 1974. Além de cantarem juntos, os três falam sobre transgressões no meio musical e sobre o que era a cultura gay no Brasil dos anos 50 e 60, e no Rio de Janeiro “desbundado” dos anos 70.

Edy Star, Rodrigo Faour e Caetano Veloso no programa MPB COM TUDO DENTRO
Edy Star, Rodrigo Faour e Caetano Veloso no segundo episódio do programa MPB COM TUDO DENTRO

Até o fim do ano, FAOUR já tem gravadas entrevistas também com outros artistas que transgrediram nesta mesma linha de gênero, como a veterana MARIA ALCINA, que acaba de lançar “Espírito de tudo”, um álbum só com canções de Caetano Veloso, e nomes da nova geração, como JOHNNY HOOKER e o coletivo NÃO RECOMENDADOS (de CAIO PRADO, DANIEL CHAUDON e DIEGO MORAES). Todos dão canjas em números exclusivos, ao vivo, para o programa. Há ainda o encontro inédito de HOOKER & MARIA ALCINA num “quiz” divertido, baseado nas letras de músicas vingativas de JOHNNY.

Johnny Hooker, Rodrigo Faour e Maria Alcina num dos episódios do MPB COM TUDO DENTRO
Johnny Hooker, Rodrigo Faour e Maria Alcina num dos episódios do MPB COM TUDO DENTRO

A multifacetada ELZA SOARES, a sambista e ativista LECI BRANDÃO, a diva paraguaia PERLA, o veterano AGNALDO RAYOL e o lambadeiro alagoano GIVLY, da BANDA FIGUEROAS também já registraram entrevistas reveladoras para o MPB COM TUDO DENTRO, sendo que este último, de apenas 23 anos, mostra que é um expert em cultura pop brasileira dos anos 60, 70 e 80, mostrando discos de sua coleção de vinil, e respondendo a testes de FAOUR, sobre as divas bregas brasileiras e as Musas Peladas, ou seja, as que posaram nuas, analisando as revistas Playboy e Status da época, e elegendo suas favoritas em três categorias.

Alternadas às entrevistas, haverá pequenas palestras sobre temas da MPB. Curador da caixa de 15 CDs, “JACKSON DO PANDEIRO, o Rei do Ritmo” (Universal Music), ele dedica, por exemplo, um programa inteiro à memória do grande cantor, compositor e pandeirista paraibano, contando fatos pitorescos de sua biografia, intercalados com alguns números musicais. Mais adiante, dedica outro às capas minimalistas e sofisticadas da bossa nova, e diretamente do seu baú, mostra um encontro inédito da Rainha do Choro, ADEMILDE FONSECA com o Rei do Sambalanço, MILTINHO, na festa de lançamento de seu programa de rádio da extinta MPB FM, no Centro Cultural Carioca, em 2008.

Apelo internacional

Outra grande novidade é que todos os vídeos do MPB COM TUDO DENTRO serão legendados em inglês, de modo a atrair também os amantes da música brasileira que vivem no exterior, mas não entendem nossa língua nativa. “Viajei pra Nova York em julho, e entrando em contato com músicos estrangeiros que vivem lá, decidi também investir no formato bilíngue. O tipo de música brasileira criativa que eu gosto e divulgo também tem fãs fora daqui. Por isso quero colaborar para romper essas fronteiras e criar um intercâmbio com gente do mundo todo. Neste momento de crise do mercado para a música brasileira mais diversa e criativa, precisamos unir forças ampliar seu raio de atuação”.

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Com textos assinados Discos Reedições

Faour produz as caixas com os primeiros álbuns de Baby do Brasil e das Frenéticas para a Warner Music

Os primeiros cinco CDs de Baby do Brasil, gravados entre 1978 e 1982, e os quatro álbuns da formação original do sexteto As Frenéticas, registrados entre 1977-1980, finalmente chegam remasterizados ao mercado, com as artes originais, textos contextualizando os lançamentos e diversas faixas bônus. As caixas “Baby Consuelo do Brasil” e “As Frenéticas – 40 anos de Dancin’days” são lançadas agora pela Warner Music.

Caixa "Baby Consuelo do Brasil", produzida por Rodrigo Faour para a Warner Music

A caixa de Baby do Brasil tem ainda como bônus canções para especiais infantis (“Emília, a Boneca gente” e “A espingarda de rolha”), uma faixa de compacto que nunca havia saído em CD, “Juntos de novo” e uma canção de sucesso do festival MPB 80, “O mal é o que sai da boca do homem”, ao lado de Pepeu Gomes. O box acompanha ainda um encarte com um texto biográfico e depoimentos que a cantora deu à imprensa à época de cada lançamento.

Caixa "As Frenéticas - 40 Anos de Dancin'Days" (Produzida por Rodrigo Faour para a Warner Music)

No caso das Frenéticas, o box apresenta 17 bônus tracks, incluindo participações em discos de Gonzaguinha (“A marcha do povo doido”), Belchior (“Corpos terrestres”) e Erasmo Carlos (“Se você pensa”), canções para os especiais infantis da “Arca de Noé” (“Aula de piano”, “O pintinho”), um projeto de frevo da CBS, “Asas da América” (“Bye, bye, my baby”) e as três que gravaram quando se reuniram novamente em 1992 por ocasião da novela “Perigosas peruas” (a faixa de abertura do folhetim homônimo, “Oh, boy” e “Lefudezvous”, além de quatro divertidas mensagens para as rádios que gravaram em compacto.

Finalmente, há três faixas nunca lançadas, a canção de duplo sentido “Açúcar candy” (Sueli Costa/ Tite de Lemos), lançada por Ney Matogrosso em seu primeiro LP; e versões em espanhol de “Perigosa” e “Dancin’days” feitas para o mercado argentino. Há ainda uma inédita em CD, a faixa “Tutti-Frutti”, último grande sucesso do sexteto, onde dividem as vozes com Miguel Bosé, ator/cantor espanhol, à época um ídolo teen.

Quero agradecer à Elaine Medeiros da Warner Music pela parceria neste projeto.

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Shows e eventos

O emocionante show “Ruído branco”, de Ana Carolina, tem roteiro da cantora em parceria com Rodrigo Faour

Ana Carolina e Rodrigo Faour após à estreia do show “Ruído branco”, no Teatro Bradesco (RJ)

O novo show de Ana Carolina é diferente de tudo o que se poderia esperar de um “show de Ana Carolina”. Ao invés de se divertir com suas baladas românticas, sambas ou canções dançantes, este exige mais concentração. É para se apreciar atento e senti-lo dentro da alma. Num mundo cada vez mais histérico, maniqueísta e superficial, eis que me deparo com um espetáculo experimental, poético, interiorizado, reflexivo, profundo, em que a gente sai mexido, desnudado, querendo voltar.
Sentadinho na primeira fila do Teatro Bradesco (RJ), esqueci a amiga e me encantei com a Artista com A maiúsculo que estava diante de mim. Uma cantora colecionadora de hits que, aos 18 anos de carreira, teve a coragem de abrir mão de todo o seu repertório e criar algo totalmente novo, expondo pela primeira vez suas inquietações existenciais, motivada pelo seu livro de poemas e reflexões recém-lançado, “Ruído branco”. Pela primeira vez seu “eu” verdadeiro aparece na frente do eu-poético das tantas canções que interpretara até então.

É claro que este mergulho dentro de si não a fez deixar ser expressionista, pois ela nunca foi intérprete de medir ou regular emoções. Elas estão lá – cortantes, fulgurantes –, mas o apelo é outro. E os temas, muito mais diversificados. Com direito também a vídeos idealizados, filmados ou editados por ela. Por mais que já soubesse previamente de todo esse teor multimídia do show – pois acompanhei os ensaios – o impacto de vê-la ali desnudando seus fantasmas, fantasias, dores, amores, paranoias e anarquias acumulados pela vida dessa forma tão criativa – foi de arrepiar.

Logo no poema de abertura, “Rotatória”, declamado por Maria Bethânia, já se vê o teor existencial do show. Ana também abre o próprio livro e recita alguns outros que versam sobre sua ambiguidade sexual (“Eu e eu”), suicídio (“Andaime”) ou sobre o amor por sua companheira (“Pra ela”). Decidiu também musicar alguns que são verdadeiros mosaicos de pura arte pop comparando nosso interior com a nossa carcaça (“A pele”) e a situação caótica do planeta atual (“Qual é”). Mais adiante vamos nos deparar no telão com o ator Lázaro Ramos num poema gaiato (“Não leiam”) e a atriz Camila Morgado no emocionante “O silêncio”, a respeito de sua relação com o pai que não chegou a conhecer. Soube intercalar canções novas de sua autoria e jovens autores com o melhor da MPB e do pop nacional, em que há poética de primeira para dar e vender. Momentos líricos, momentos tensos, momentos amorosos. Nas doses certas.

Tive o prazer de ajudá-la a elaborar este roteiro que ela me deu a honra de assinarmos juntos, mas não se enganem. Ana tem o domínio total do que quer, do que busca e tem a mão forte sobre tudo o que faz. Não aceita imposições. É muito verdadeira e sabe que às vezes é preciso dar ao público não apenas o que ele quer, mas também o que ele nem sabe que quer por não ainda conhecer. Ou seja, é possível ser uma artista pop e contemporânea e disseminar poesia e reflexão, por que não?

É muito emocionante assistir a este novo show junto com seu público, normalmente super eufórico e efusivo, mas que desta vez se mostrou concentrado, respeitoso e emocionado com esta sua nova faceta. Com também é bonito observar de perto sua evolução como cantora, compositora, poeta e “cantriz” sobre o palco, e ver que apesar de ter conquistado milhares de fãs e tantos sucessos-chiclete ela não se sente confortável em apenas deitar sobre os louros da fama. Ela quer dizer algo mais, provocar os fãs, sair da zona de conforto. Isto para mim é ser um artista de verdade. Preparem-se porque o novo ruído de Ana é intenso, reverbera dentro da gente e transcende ao tempo do show.

 

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Shows e eventos

Faour estreia como autor teatral no pocket show musical “Bossa Nova em Concerto”

O talento de CLÁUDIO LINS, EDUARDA FADINI, KESIA ESTÁCIO, STEPHANIE SERRAT e TATIH KOHLER pode ser conferido no show musical BOSSA NOVA EM CONCERTO. Cantam bem – sem imitar cantor americano – e esbanjam charme em cena. Em cartaz no Teatro Clara Nunes do Shopping da Gávea (sábados às 19h, domingos às 18h e segundas às 21h). É preciso destacar ainda os belos arranjos de DÉLIA FISCHER, a coreografia de ROBERTA SERRADO, desenho e a luz de TOMÁS RIBAS, além da banda competente de quatro grandes músicos. Ele foi criado pelo diretor (craque) SÉRGIO MÓDENA e por mim a convite da produtora ANIELA JORDAN.

A julgar pela estreia para convidados, em que tivemos a honra de receber os ícones ROBERTO MENESCAL (que deu canja), MARCOS VALLE e CARLOS LYRA, criadores de canções antológicas do movimento, deverá ter carreira longa. A princípio a temporada vai até o final de fevereiro. Não percam porque está uma graça. Vai até 20/2/17.

Rodrigo Faour e o elenco de Bossa Nova em Concerto
Stephanie Serrat, Cláudio Lins, Tatih Köhler, Eduarda Fadini e Késia Estácio no musical “Bossa Nova em Concerto”, em cartaz no Teatro Clara Nunes, na Gávea

Rodrigo Faour (autor do texto, com Sérgio Módena) ao lado dos ícones da bossa nova: Marcos Valle, Robeto Menescal e Carlos Lyra. (foto de Leo Uliana)