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Caetano Veloso fala em sua coluna do Globo sobre a biografia deDolores Duran

É com muita alegria e orgulho que venho aqui postar o artigo de Caetano Veloso  baseado na leitura de meu livro “Dolores Duran – A noite e as canções de uma mulher fascinante” (Ed. Record) que foi publicado neste domingo, dia 10 de março de 2013, no jornal O Globo.

Caetano Veloso fala do livro de Rodrigo Faour sobre Dolores Duran

CAETANO VELOSO COMENTA O LIVRO DE DOLORES DURAN, DE RODRIGO FAOUR

2 replies on “Caetano Veloso fala em sua coluna do Globo sobre a biografia deDolores Duran”

Rodrigo

Tudo bem? Antes de mais nada, parabéns pelo seu trabalho de jornalista, incansável, criativo e importante para a memória da arte musical brasileira.

Acabei recentemente de ler seu livro “Dolores Duran-A Noite e as Canções de uma Mulher Fascinante” e me atrevo a dizer que será impossível que alguém escreva algo maior e melhor sobre essa figura iluminada, que de tanta luz, brilhou como um cometa – passou por nós durante apenas 29 anos.

E é com certa pena que, graças à sua excelente pesquisa pude conhecer o quanto foi única e especial a cantora, compositora e pessoa, mas que tão pouco tempo esteve conosco. A sabedoria popular afirma que terá sido o destino que a levou. A fé cristã me diz que Deus assim traçou a vida daquela carioca do bairro da Gamboa. Mas a arte popular brasileira sempre lamentará muito que Dolores não tenha vivido mais para compor outras inspiradas e marcantes canções, com ou sem parceiros. Imagino que pouco tempo após sua morte, a bossa-nova surgiria e a arte de Dolores poderia se ampliar ainda mais, tornar-se maior do que já era e sempre foi, você não acha?

Seu livro, Rodrigo, é maravilhoso, muito bem escrito, detalhado e sério, cuidadoso no respeito à memória de Dolores, sem no entanto deixar de explorar dados inéditos, de passar-nos informações importantes sobre a personalidade rica, autêntica e marcante daquela magnífica estrela de nossa música. Viajei por aqueles anos, em especial nas referências aos finais da década de 1950, quando eu já era nascido – tenho 57 anos. Obrigado por me permitir esse passeio pela arte musical de uma cantora tão maravilhosa como foi Dolores Duran!

Sempre fui apaixonado por música, em especial música brasileira, que aprendi a respeitar e adorar desde criança graças aos meus pais. Cresci ouvindo música todos os dias, no rádio, em nossa “vitrola”, mais tarde na TV, nos programas musicais em preto-e-branco de nossas programaçõe de inícios dos anos 1960.

Minha mãe, Madresilva, uma amazonense que foi pianista e cantora de rádio em Manaus, relembrava sua juventude cantarolando e me contando fatos que viveu, como por exemplo cantar com Francisco Alves, o Rei da Voz. Seu amor pela canções, nacionais ou estrangeiras, me fizeram atentar para aquele prazer que muitos tem de gostar de música!

E meu pai, o jornalista Claribalte Passos, era fonte constante de minha atualização e “doutrinação” no mundo da música. Devido a sua atividade de colunista do jornal matutino carioca Correio da Manhã, eram constantes suas idas a gravadoras e rádios; eventos de divulgação de lançamentos fonográficos e musicais, em geral. Tive a sorte de ver bem de perto, ainda menino, “monstros” sagrados de nossa música como, Elizeth Cardoso, Claudette Soares, Jorge Ben (foi esse que eu conheci, não o Ben Jor…), Carmélia Alves, Stelinha Egg, Luiz Vieira e… Tom Jobim.

Hoje, 25 de março de 2013, meu pai completaria 90 anos (nasceu a 25/3/1923 em Caruaru-PE e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 15/02/1986). E por isso, não posso deixar de lhe agradecer a referência a meu pai, Claribalte, que para mim teve o significado de uma involuntária homenagem. Seus comentários na imprensa em relação a Dolores Duran foram citadas por cinco vezes em seu livro. Nas páginas:

num 67 – comentário sobre o segundo “78 rpm” com Outono e Um Amor Assim; num 80 – listas das “Melhores Gravações de 1952” – Dolores em “quarto” lugar com Outono; num 177 – comentário sobre o primeiro LP “Para Você Dançar” ; num 277/8- sobre o LP “Esse Norte é minha sorte”; e num 336/7 – sobre o EP póstumo “Dolores Duran no Michel”; todos os comentários da revista Carioca e do jornal Correio da Manhã. Sei, é claro, que a menção ao nome dele foi circunstância, mas para mim foi de uma felicidade incrível ver sua lembrança vinculada e de alguma forma imortalizada junto à memória da grande Dolores Duran. Que bom que ele àquele tempo foi um dos muitos que reconheceram o talento da Dolores, e que o seu trabalho, Rodrigo, de tão meticuloso resgatou os escritos publicados de meu pai.

Finalizando (ufa!), quero dizer-lhe “muito obrigado!”, e também desejar-lhe muito sucesso ainda, muitas inspirações e (re)descobertas, pois a imprensa e a literatura brasileiras ainda precisarão muito de seus livros.

Tudo de bom e um abraço agradecido de

Sílvio Brandão Passos (Tijuca-RIO)

Oi Silvio,
É com muita alegria que recebi hoje seu post. O trabalho do escritor é muito solitário. É bom a gente ter este bate-bola com os leitores, ainda mais o filho do Claribalte Passos, figura tão prestigiada do jornalismo daquele tempo e compositor bissexto, gravado por grandes artistas, como Elza Soares, Carmélia Alves, Silvio Caldas, Agnaldo Rayol, Lucio Alves, Neusa Maria… Obrigado pelo carinho!
Abraços,
Rodrigo

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