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Opinião de Faour

Carta às novas cantoras

Amigos,
Para inaugurar meu blog, quero postar aqui um artigo que escrevi para o número 1 da Revista Ilusorama, há dois meses. Leiam e comentem, please!

Carta às novas cantoras

Comecei meu interesse pela MPB por volta dos seis, sete anos de idade. Corriam os anos de 1978 e 79, quando houve um grande boom feminino em nossa música. Era uma época incrível, com uma avalanche de talentos. Todas as cantoras tinham repertório interessante e carimbo na voz. Você as ouvia no rádio e já identificava uma por uma. Ah, aos mais jovens, eventualmente desavisados, é bom que se diga que vivíamos num tempo em que não era pecado mortal ouvir grandes vozes e grandes canções nas FMs. Além do mais, não se tocava apenas pop/romântico e sambinhas lentos nas rádios que privilegiavam MPB. Ouviam-se frevos, sambões, marchas, canções de protesto, canções feministas, sensuais, pulsantes em geral… Era um bálsamo para os ouvidos e esta onda de discos ao vivo e revivals ainda não tinha nascido.

As estreantes naquela altura eram Elba Ramalho, Ângela Ro Ro, Zizi Possi, Fátima Guedes, Joanna, Diana Pequeno, Zezé Motta, Marina, Amelinha, fora Gal Costa, Simone, Elis Regina, Maria Bethânia, Clara Nunes, Alcione, Beth Carvalho, Baby Consuelo, Rita Lee e Fafá de Belém que estavam no auge de suas carreiras. E havia ainda Joyce, que andava sumida e reapareceu com sucesso, mais Maria Creuza, Cláudia e Eliana Pittman, que já começavam a sumir das paradas, mas ainda gravavam com freqüência; as divas populares Vanusa e Perla, até o time das que nunca tiveram grande sucesso, como Jurema, Janaína, Teresinha de Jesus, mas esbanjavam estilo próprio… Isto sem contar as divas do rádio Ângela Maria, Inezita Barroso e Elizeth Cardoso que continuavam na ativa e soltando discos anualmente na praça.

Elas eram todas boas porque cantavam com entusiasmo, tinham personalidade vocal e o repertório ajudava. Trinta anos depois, já trabalhando no meio musical, me deparo com uma avalanche de novas cantoras. Dezenas, centenas delas! Algumas filhas de velhos expoentes da MPB e outras sem sobrenome conhecido. A cada mês ouço falar de pelo menos duas ou três cantoras novas. Mas… Que decepção! São quase todas muito parecidas, fracas, sem estilo. Falta a elas o que as veteranas tinham de sobra. Justamente emoção, personalidade vocal, repertório e contraste entre as faixas de seus discos.

Por isso, para inaugurar esta coluna, decidi fazer, por pura molecagem, um quadro com dez conselhos para evitar que essas cantoras percam seu tempo gravando discos que ninguém (ou quase ninguém) vai agüentar ouvir. Se você é aspirante à cantora e quer fazer história na MPB, leia o quadrinho abaixo e depois não diga que não avisei…

1 – Não regrave músicas de Elis Regina no seu álbum de estréia. Desista. Você não as gravará nunca melhor que ela, e sempre haverá um espírito de porco (como eu) para lhe dizer isto!

2 – Se não tiver o que dizer em 14 faixas, grave apenas 9, 10, 11. Evite faixas longas demais. O melhor disco é aquele que termina e a gente fica com pena porque acabou e não o contrário. Até porque você corre o risco de a pessoa nem agüentar chegar até o final da audição.

3 – Se tiver preguiça de transmitir emoção, mude de profissão. Vá ser bancária, empresária, quitandeira… qualquer coisa! Respeite nosso passado de cantoras que cantavam com o útero. Mas não precisa se descabelar para cantar ou ficar num constante debater de braços, acredite: a emoção pode ser passada muitas vezes apenas pela voz.

4 – Grave letras que digam alguma coisa ao nosso tempo. Deste modo, seu trabalho poderá chegar aos mais jovens, que são as pessoas que realmente consagram um novo artista. Tentar fazer uma carreira em cima de clássicos desgastados da MPB pode ser uma grande cilada, pois você já vai estrear defasada. Entretanto, vale a pena regravar algo que esteja esquecido e mereça ser revisto. Mas, pelo amor de Deus, esqueça clássicos de Tom Jobim, Vinicius, Chico Buarque e da bossa nova em geral, porque todo mundo já teve esta idéia antes de você.

5 – Fazer um disco SÓ com músicas inéditas – de sua autoria ou de seus colegas desconhecidos – também pode ser sacal para quem não conhece você e sua trupe. Você pode ser um gênio como compositora (e seus colegas também), mas não queira transmitir tamanha genialidade de uma vez só, gravando 14 canções suas e de seus amigos. Não tenha preguiça de pesquisar no imenso baú da MPB. O ideal é mesclar novas e inéditas, e variar o máximo que puder os compositores que gravar, seguindo um mínimo de coerência estilística. E ainda assim, se escolher bem o repertório, é bom puxar a orelha do arranjador caso ele resolva uniformizar todos os climas das músicas ou esticar muito as faixas. O bom disco é o que tem contraste entre elas, acaba rápido e passa uma mensagem embutida – conceitual nas letras ou nas levadas, e não um saco de gatos, atirando para todos os lados.

6 – Não imite a escola de Cássia Eller e Ana Carolina e nem a de Marisa Monte porque ninguém agüenta mais. Também esqueça um pouco a “soul music”. Você mora no Brasil e imitar impostação de cantora de soul americana é a coisa mais enfadonha que existe.

7 – Se você optar pelo samba carioca, lembre-se: o bom samba tem que ter uma sujeira, não pode ser cool demais, senão vira arremedo de bossa nova ruim (a autêntica bossa nova tem uma linguagem sofisticadíssima e toda própria, mais difícil de fazer do que parece). E se for cantar só letras que falam de barracão de zinco, da nega que te largou e do morro de antigamente, nenhum jovem vai se identificar com você, porque não sei se lhe avisaram, mas esta cidade não existe mais.

8 – Ter afinação é importante, mas não basta só isso para ser uma boa cantora. É preciso ter algo mais. E às vezes uma voz educadinha “demais” pode fazer você se distanciar “demais” do seu público. Melhor tentar o canto lírico. O contrário também é importante. Cantar bem, ter uma boa voz e saber respirar não é fazer pacto com o diabo. Juro que é verdade!

9 – Ah, você quer cantar em outras línguas? Tem certeza? Nenhuma de nossas cantoras até hoje conseguiu fazer uma carreira de sucesso assim no Brasil, mas se você quiser ser a primeira… A não ser que você ache uma maravilha ser cover na linha dos cantores de barzinho. Cruz, credo!

10 – “Imagem” hoje em dia é muito importante, tanto quanto a música, para qualquer artista novo. Mas, atenção! Tem cantora que só tem cabelo e não adianta, não vai emplacar! Se você for gorda, mas cantar muito bem, assuma isso e invente um personagem. Se for muito feia, terá poucas chances, mas ainda assim contrate um bom estilista, ele pode fazer milagres por você. Ah, aquele look neo-hippiezinha, tipo “sou bonita, mas quero parecer feia (para me mostrar inteligente)” também já deu! E o sapata-informal (jeans, camisa preta e pouca maquiagem), daquelas que cantam em barzinho de bolacha suburbana, manja? Este nem pensar, por favor! Com glamour, talento e inteligência você pode inclusive jogar às favas esta lista inteira, ser intuitiva e mandar ver. Mas se puder levá-la, nem que seja amassadinha no bolso da calça para dar uma olhadinha de vez em quando, o público agradece.

Rodrigo Faour

PS – Depois de pronto e publicado, meu amigo Tomás Rangel sugeriu que eu incluísse um décimo-primeiro conselho: “Não regrave clássicos da MPB com bases eletrônicas”. hahahahah. Acatei imediatamente sua sugestão! Realmente, é dose!

49 replies on “Carta às novas cantoras”

Acho que algumas dicas servem também para roqueiros… rsrsrs!

Excellent!

BJU,

silvia d.

Risos…Todos os conselhos muito pertinentes!! Vou ler de novo item por item pra não cometer nenhum desses “pecados”. Adorei!

Nossa, excelentes dicas! Mas olha, não fale tão mal das cantoras líricas. Monserrat dá e sobra em singeleza e sentimento comparada a uma enxurrada de cantoras de MPB!

Verdades ditas de maneira divertida. Em cada item, lembramos de vários nomes no cenário musical.
O 12º item, poderia ser: Se você é filha de artista e quer tentar a carreira, cuidado para não correr o risco de se tornar Preta Gil. (Vanessa Camargo e Luiza Possi se enquadram nos já expostos)

O que falta nessa nova juventude de cantoras é saber extrair as coisas boas das antigas cantoras e tb saber de onde vem as coisas, por exemplo a maioria dessas novas se espelham em Elis,mas elas não tem nada de Elis, todas elas tem muito de Marisa e todas caem em Gal.

Gostei

Faltou essa, talvez uma 12ª: “E não adianta ir para um desses programas de televisão que prometem arranjar uma nova estrela para o Brasil a cada edição porque ninguém até hoje ficou famoso assim”

Mas desse jeito todas as aspirantes à nova cantora vão ficar intimidadas se lerem isso aew… hehehehe Passaremos um tempo sem novos talentos femininos. Agora falta vc fazer um para os novos cantores, acho que é só adaptar.

Não é justo! Tem muitas cantoras boas.

A maior cantora da nova geração é Nana Regina. Totalmente original.

Já a baleíssima Cíntia Jabaculéia também prima pela sofisticação e pelo requinte na escolha dos sambas do fundo do baú. Seus scats são comoventes.

Talita Manko faz a linha macumbeira pret-a-porter. As rendas que usa em seus figurinos são chiquerérrimas. Dá um desconto pro trabalho que é fazer aquele figurino.

E a ex-BBB Julieta Tá impressiona pela musicalidade. Seu samba de morro suingado é cheio de sujeira e séquiço.

Olha, desculpe, mas isso parece até uma receita de bolo!!Ser uma artista não é imitar ninguém e muito menos seguir receitas como essas….. Mas confessos que em algumas dá para tirar algo de proveitoso.

Oi Rodrigo,

Me esclareça o seguinte:
No ítem 06 vc quis dizer que ninguém aguenta mais o estilo das cantoras citadas ou, ninguém aguenta mais a insistência das novatas em tentar imitar o estilo das mesmas?!

Oi,

nossa eu tenho notado que não estão valorisando nossas cantouras atuais e estão cansadas das outras como Joana a maravilhosa, mais acredito q tem muita garota boa q ainda não apareceu, eu tambem noto que a um pouco de machismo até mesmo do lado das mulheres contra a voz feminina. O pior de tudo e gostar daqueles fanks que acaba com a imagem feminina isso todo mundo gosta, lota os shows vendo pornografia no palco. ABSURDO ESTÃO ACABANDO COM A MUSICA BRASILEIRA(isso tambem é um desabafo)

Opa…
Tudo bem?

Bom… Uma opinião que “frustra” um pouco a todos que esperam pela novidade urgente: eu não creio que o teor qualitativo de uma obra musical (falamos aqui de repertório de alguém como hipótese)dependa efetivamente de uma leitura razoável de seu tempo, pelo objeto direto. É possível falar no “barracão de zinco” ou da “nêga que te abandonou” e ao mesmo tempo universalizar a sua obra a ponto dela expressar o presente. O (inigualável – pelo menos até aqui) Chico Buarque “re”cria um cenário da Década de 40 no fim dos anos 70, e paralela os dois ambientes numa crítica atual (aos anos 70)… “Ópera do Malandro”.

Há temas também, de foro universal. Aquilo que torna “Romeu e Julieta” o óbvio da sombra jamais deixará de simbolizar algum espectro humano. Existencialismos também são temas atuais sempre, e o “cenário” nem sempre precisa ser o “atual”.

Marcelo Camelo escreveu “Cara Valente” e “Veja Bem Meu Bem”, cujos lirismos evidentes em ambas obras são atuais e não buscam elementos “urgentes” ou ‘descolados’ para demonstrarem o que bem fazem. São duas canções belíssimas que falam por si, e assim farão sempre.

Caro Rodrigo, eu também clamo por novidades empolgantes na MPB, alguém que faça a crônica dessa geração, pois estamos carentes disso, e é inegável.

Por outro lado, quem disse que é necessário ser sofisticadamente original para ser uma “boa cantora”?

Abraços,
Parabéns pelo espaço no Blog,

Victor M.M.Negrini.

hahahahahahahaha…
Você realmente conseguiu fazer uma boa análise e dar conselhos excelentes!!!
Divulgue-se este post!!!

Acho que todos os aspirantes a cantores deveriam ler isso ahuhauhauh

Adorei e vlw Cintia por mostrar o link =]

Proposta. Convide 10 das novas cantoras e peça-as para redigir uma “carta dos novos artistas aos críticos musicais”. Acho que os primeiros conselhos seriam assim:

1) Se você tem a incurável síndrome: “no passado éramos mais belos e melhores” não escute nada de novo.

2)Não nos compare a artistas do passado sem que tenham escutado nosso CD, assistido ao nosso show, e nos comparado com a nossa própria geração.

3)Não crie um estatuto sobre “como ser um grande artista” a partir do qual criticar quem não se aproximar dele, e caso muitos se aproximem não o substitua por um mais “alternativo”.

4) Não esqueça que os três primeiros discos de Elis Regina – um misto de Ângela Maria e Celly Campelo – não passavam a menor impressão de quem ela iria se tornar como artista. Em outras palavras, nos dê tempo de nos tornarmos nós mesmos artisticamente caso não consigamos no primeiro CD.

5) Não descarregue sobre nós a frustração de você não ter sido artista, ou caso tenha sido, de não ter se tornado um grande e diferencial artista.

Rodrigo, você como bom jornalista, pesquisador, escritor e produtor musical, pensou num site todo elaborado e com um conteúdo bacana, certo? Como não poderia deixar de ser inaugurou o blog com um texto pra lá de comentado. Afinal as novas cantoras estão aí ganhando seu espaço merecido (ou não) na mídia em geral. Só que é certo também que você deveria saber de três coisas básicas: 1º Não devemos generalizar. 2º O que seria das cantoras da sua geração se todos tivessem o mesmo pensamento que você? Afinal de uma forma ou de outra elas foram ‘iniciantes’ na carreira um dia. 3º Ironia é viável quando sabem usá-la. Mesmo 2 anos depois do texto publicado é importante que pense nisso.

PS- Tenho 20 anos e cabe deixar claro que não tenho pretensão nenhuma de ser cantora, adoro música, adoro MPB, as cantoras que citou no texto e as da minha geração também!!!

Olá Rodrigo Faour!
Confesso que nem sabia quem você é e só soube justamente por um tópico em uma comunidade do orkut que comentaram sobre essa carta ,aliás na comunidade de uma dessas novas cantoras talentosíssimas por sinal da MPB!
Eu tenho 18 anos de idade e a minha educação musical foi assim ,cresci ouvindo Elis Regina, Rita Lee, Simone,Maria Bethânia ,etc…
Sou movida à música e discoro completamente com o que você disse ,eu tenho conhecimento suficiente para fazer comparações também, por incrivel que pareça. Enfim ,só acho que você deveria pesquisar maiiiiis, ainda por cima com um texto de dois anos atrás,pelo o que eu conheço não é bem assim que a banda toca! Esse é o SEU ponto de vista,correto?
E existem cantoras novas que fazem sucesso por aí e canta porque gostam ,se sentem vivas e principalmente chegam aos ouvidos das pessoas de uma forma linda!… Você com todo esse seu conhecimento deve ou pelo menos deveria medir melhor suas palavras e esse espaço na internet fazendo criticas!

Ah! PS – “e sempre haverá um espírito de porco (como eu) para lhe dizer isto!” (Ainda bem que você sabe!)
:)

Olá Rodrigo Faour!
Confesso que nem sabia quem você é e só soube justamente por um tópico em uma comunidade do orkut que comentaram sobre essa carta ,aliás na comunidade de uma dessas novas cantoras talentosíssimas da MPB!
Eu tenho 18 anos de idade e a minha educação musical foi assim ,cresci ouvindo Elis Regina, Rita Lee, Simone,Maria Bethânia ,etc…
Sou movida à música e discoro completamente com o que você disse ,eu tenho conhecimento suficiente para fazer comparações também, por incrivel que pareça. Enfim ,só acho que você deveria pesquisar mais ainda por cima com um texto de dois anos atrás,pelo o que eu conheço não é bem assim que a banda toca! Esse é o SEU ponto de vista,correto ?
E existem cantoras novas que fazem sucesso por aí e canta porque gostam ,se sentem vivas e principalmente chegam aos ouvidos das pessoas de uma forma linda!… Você com todo esse seu conhecimento deve ou pelo menos deveria medir melhor suas palavras e esse espaço na internet fazendo criticas!

Ah! PS- “e sempre haverá um espírito de porco (como eu) para lhe dizer isto!” ( Ainda bem que você sabe)

Rodrigo, você como bom jornalista, pesquisador, escritor e produtor musical, pensou num site todo elaborado e com um conteúdo bacana, certo? Como não poderia deixar de ser inaugurou o blog com um texto pra lá de comentado. Afinal as novas cantoras estão aí ganhando seu espaço merecido (ou não) na mídia em geral. Só que é certo também que você deveria saber de três coisas básicas: 1º Não devemos generalizar. 2º O que seria das cantoras da sua geração se todos tivessem o mesmo pensamento que você? Afinal de uma forma ou de outra elas foram ‘iniciantes’ na carreira um dia. 3º Ironia é viável quando sabem usá-la. Mesmo 2 anos depois do texto publicado é importante que pense nisso.

PS- Tenho 20 anos e cabe deixar claro que não tenho pretensão nenhuma de ser cantora, adoro música, adoro MPB, as cantoras que citou no texto e as da minha geração também!!!!

Genial, Rodrigo. Você como sempre muito inteligente e espirituoso. Concordo 99,9%, como bom conselho de Nelson Rodrigues.

Hhauuhauhahuauhauhahua eu ri demais com esse texto, powwww, mas adoro quase todas as novas cantoras, acho que cada uma tem sua proposta, suas peculiaridades…. Mas enfim #ficaadica realmente!

Aspéctos interessantes que vc citou, mas muito esteriotipado!
Se a receita do sucesso fosse seguir uma cartilha até mesmo eu teria a capacidade de ficar famosa…
Vivemos num país com um passado grandioso de grandes cantoras sim, cantoras do rádio (que idolatravam grandes vozes), cantoras da geração da TV (que valorizavam a interpretação e que imortalizaram Elis). Mas se bem me lembro os primeiros discos de Elis era uma imitação de Angela Maria (segundo declarações da própria Elis) e ela só veio a ter sucesso depois de anos de labor, quando adquiriu identidade própria! Então, incluiria mais um ítem na sua listinha: 12 – Tenha paciência e humildade, o reconhecimento do seu trabalho não é imediato, é um processo gradual de auto-conhecimento, auto-afirmação, de conquista e confiança do público e da crítica…

Querido Rodrigo,

Vc deve se achar muito esperto e engraçado, não é? Pois bem, o que eu consigo ver nesse seu texto metido a sabedor é uma exposição de preconceito e contradição. Provavelmente uma grande frustração conduz as suas palavras. Ofende até quando pensa elogiar e pelo jeito conhece muito pouco da história da MPB. Essa nova geração merece o nosso respeito e a história da MPB agradeceria se vc usasse este espaço para uma crítica mais fundamentada e mais inteligente. Ser cantor não é ser bonito, nem magro, nem estar na moda, nem seguir regras propostas por pessoas como vc. Isso aí serve para modelos, por exemplo. A arte de cantar vai muito além das aparências e das fórmulas. Salve as grandes vozes femininas de ontem, de hoje e de sempre! Sejam elas, as cantoras, bonitas ou feias, gordas ou magras, altas ou baixas, pobres ou ricas, jovens ou adultas, famosas ou anônimas…Cantar é um ofício e uma dádiva. Sou professor de canto há mais de 20 anos e cada vez mais me emociono com o potencial artístico do nosso país. Enfim, espero que esse meu comentário seja postado e que vc reveja a sua arrogãncia.
Um abraço,
Alberto Medeiros

Querida Thamiris,
Meu texto não é politicamente correto. É, de fato, uma provocação. Por conhecer profundamente as cantoras brasileiras, acho que muitas das novas cantoras poderiam ser mais originais e fazer um trabalho mais denso, irreverente ou seja lá o que for para se firmarem com mais força e identidade em nosso cenário. Mas não se esqueça do último tópico. Eu digo que se a cantora tem fé no que faz pode JOGAR MINHA LISTA FORA. Quero ter direito a ter a minha visão crítica sobre elas, mas não quero impor. O texto é de humor e espero que não seja levado ao pé da letra. É apenas uma provocação e uma reflexão.
Um beijão,
Rod

Querida Aimée,
Que bom que, aos 18 anos, você já tem sua opinião formada. Eu a respeito, por isso aprovei seu comentário aqui. Também gostaria que você respeitasse o meu. Minhas críticas não são gratuitas e valem para várias cantoras. Entretanto, é um texto-provocação. Uma reflexão que eu proponho e é um texto de humor. Não quero entrar na onda do politicamente correto. Quero ter o direito – pelo menos no meu blog – de propor esta reflexão. Acho que o nível geral das novas cantoras anda um pouco baixo em relação às antigas e não sou o único a perceber isso. Mas de forma alguma quero denegrir ninguém – por isso não cito nominalmente nenhuma. É apenas uma reflexão bem humorada.
Um beijão,
Rod

Caro Alberto,
Não se esqueça do meu último tópico. Quando eu digo que se as cantoras se garantem, podem jogar minha lista no lixo… eu valorizo justamente a força que cada uma tem com o que pretende levar para o palco. Meu texto é politicamente incorreto sim, e bem humorado. É apenas um convite à reflexão. Acho que muitas cantoras atualmente repisam fórmulas gastas e imitam demais umas às outras, e muitas conhecem pouco da história da MPB, pois muitas não se esforçam para fazer um trabalho mais contundente, denso e original. Mas isso é a minha opinião. Acho que no meu blog tenho o direito de dizer o que penso. Não sou artista frustrado, pelo contrário, em quase 20 anos de pesquisa musical, já relancei mais de 300 discos, escrevi 3 livros, tenho programa diário de rádio e estou indo pra tv justamente para mostrar a riqueza da música brasileira. Espero que você não julgue todo o meu trabalho somente por causa de um texto irreverente.
Abraços,
Rod

eSTOU RINDO ENQUANTO DIGITO…RSRSR… MARAVILHA DE TEXTO! PARABÉNS POR DIZER TANTA VERDADE! PENA EU NÃO TER NASCIDO EM SUA ÉPOCA, MAS TAMBÉM CARREGO IMENSA ADMIRAÇÃO POR ESTA GERAÇÃOD E CANTORAS DO FIM DA DÉCADA DE 70, QUANDO MÚSICA DE VERDADE EXISTIA, HOJE ME PARECE QUE É TUDO “MUITO MAIS DO MESMO” COMO RENATO RUSSO DISSE… ATÉ MESMO A MAIORIA DAS ARTISTAS DESSA ÉPOCA OU SUMIRAM OU SÓ REGRAVAM E REVIVEM SEUS PASSADOS DE GLÓRIA (EXCEÇÃO É ELBA RAMALHO QUE AINDA SE ARRISCA EM NOVIDADES SE REINVENTANDO TANTO NO PALCO QT NA MÚSICA, AINDA QUE PARA MIM EU PREFIRA SEUS 1ºS 10 ANOS DE CARREIRA E OS DISCOS DE 1996 E 1997(LEÃO DO NORTE E BAIOQUE), HOJE SINCERAMENTE NÃO ME DOU O TRABALHO DE SINTONIZAR UMA ESTAÇÃO DE RÁDIO… PREFIRO SENTIR O CHEIRO DA NAFTALINA DOS MEUS VINIS E TODA A SENTIMENTALIDADE QUE AS MÚSICAS DO PASSADO (DE PRODUÇÃO APENAS, PORQUE O SENTIMENTO QUE ELAS PASSAM CONTINUAM ATUAIS COMO NUNCA!). ENFIM MEU CARO FAOUR, PARABÉNS PORQUE SEU TEXTO ESTÁ MARAVILHOSO E TÕ VERDADEIRO COMO DOIS E DOIS SÃO 4… RSRRSRS

Continuo rindo do seu “top 10 para ser cantora”..rsrsrsr, mas relendo o texto com mais calma, senti falta de um grande nome da música brasileira, Núbia Lafayette, você tem material dela? Ah, eu tenho coleções em vinil, das Joanna, da Elba, da Fafá de Belém, da Kátia (Pois é, tenho hoje 100 músicas da Kátia)e to fazendo a da Núbia Lafayette e ja andei bastante! E continuo sorrindo deste maravilhoso artigo…rsrsr parabéns!

Meu deu uma vontade louca de imprimir isso e sair colando em todos os postes daqui (João Pessoa).
No Maranhão há muito cantores bons, exatamente nesse molde, o que falta é mídia…
Mano Borges, Zé Lopes, Rosa Reis, Flávia Bittencourt são apenas alguns deles. Sinto muito orgulho de ter Rita Ribeiro e Zeca Baleiro por aí, acessíveis.
Bjs Rodrigo, adoro ler o que vc escreve.

Gostei muito do blog. Muito bom essas dicas concordei com tudo menos com essa: “Também esqueça um pouco a “soul music”. Você mora no Brasil e imitar impostação de cantora de soul americana é a coisa mais enfadonha que existe”. Como assim enfadonha? Por que cantar no estilo soul me deixa “menos” Brasileira? Sandra de Sá tem o soul e é muito Brasileira. Aliás não vejo alguém mais Brasileira que ela! É enfadonho regravar músicas de Elis Regina? É concordo. Isso é chato. Agora cantar músicas inéditas, mesclando com músicas do passado esquecidas e cantando num estilo que chega aos jovens que “consagram os novos artistas” é enfadonho? Discordo totalmente. Eu não estou querendo saber mais que ninguém, apenas é a minha opinião.

Querida Bruna,

Eu adoro Sandra de Sá, mas infelizmente nem todas as cantoras têm o timbre perfeito para a soul music. O que eu vejo muitas vezes é gente tentando imitar o estilo americano de interpretar, com maneirismos vocais e tentando nasalar as palavras, ao invés de tentarem encontrar um estilo próprio que seja condizente com seu material vocal. Não me interprete mal. Veja, por exemplo, o programa de calouros do Raul Gil. A maioria tenta imitar as cantoras gritadeiras americanas de hoje – que são padronizadas, mas ainda assim, seguem um estilo de lá, americano que vem do gospel. Na nossa língua, com as nossas melodias imitando esse gênero de interpretar é que acho fake. Deu pra entender? Beijos.

Primeiro, obrigado por ter repondido, agora gosto mais ainda desse blog. Compreendo você, é verdade que nem todas as as cantoras tem o timbre para o soul. Mas, e se tiverem? E se tiverem estilo própio, uma voz potente(como Sandra de Sá)e cantarem o soul? Não é nada enfadonho não é mesmo? Sabe o que falta na minha humilde opinião: oportunidade. Tem várias que possuem um talento incrível(com ou sem soul)mas não tem oportunidade! É muita falta de visão por parte dessas gravadoras! Preferem encher os nossos ouvidos com esses “projetos” de cantora como por exemplo: Perlla. O que é aquilo? Ela pode ser qualquer coisa menos cantora. Pra isso a mídia abre espaço, pra isso há contrato numa gravadora. E as boas? Estão por ai batalhando, estudando e ESPERANDO uma chance…

É bem bacana a carta, dei risada em vários momentos.. mas, isso ai não tem fórmula não, o importante é o repertório, se uma emplacar, cair no gosto, ai pronto….

Bem, acho q não precisa ser tão radical assim com as novatas, afinal, não existe mesmo qualquer regra pra fazer sucesso, pois se existisse todas ja seguiriam de cara! Acho q existem muitas cantoras novas, mas, o tempo e o talento de cada uma é q vai denominar a hora de cada uma brilhar ou sair de fininho… Mas, de qualquer forma, o texto, se não servir de conselhos pras cantoras novas, pelo menos nos faz dar muitas risadas!

Rodrigo,

Concordo que grande parte das novas cantoras não trazem nada de novo no seu repertório e sobretudo na sua performance. Em comparação com as cantoras dos anos 1970, 1980 e 1990, as novas cantoras são muito bem comportadas, não ousam no estilo musical e no conteúdo das canções (muitas são compositoras, mas as letras são pouco criativas, com um vocabulário muito limitado). Nesse sentido, elas não desafiam as normas, são bastante heteronormativas para o meu gosto, e pouco ou nada críticas dos papéis conservadores de gênero, do racismo e do classismo que imperam na ideologia dominante no Brasil. Agora, toda geração tem os seus talentos e muitas das novas cantoras cantam muito bem, têm belas vozes, discos bem produzidos, e merecem ser reconhecidas e criticadas pelo trabalho que realizam. Algumas se beneficiam da herança das famosas mães ou dos pais já consagrados na MPB. Mas muitas que fazem sucesso também demonstram ter talento e por vezes são prejudicadas por se parecerem tanto com as suas famosas mães ou pais.

Enfim, se, por um lado, sinto uma frustração parecida com a sua em relação ao limitado e conservador papel cultural e social da música popular produzida nos últimos 12 anos no Brasil, por outro lado, não concordo com a sua crítica de que as novas cantoras não tenham talento e sejam meras imitadoras das cantoras do passado. Acima de tudo, parece-me um equívoco tentar estabelecer uma receita para as novas cantoras. Qualquer artista, ou profissional em outra área, começa a carreira a partir de alguma inspiração. Como já referido por outras pessoas que reagiram contra a sua “receita de boa cantora”, expressa em “dez mandamentos para cantoras jovens”, a receita não existe e, se existisse, penso que não caberia ao crítico musical ditá-la da maneira como você o faz. Nossas grandes cantoras já consagradas são as que melhor poderiam dar conselhos às jovens iniciantes. Mas nem as próprias cantoras-mães famosas, como Zizi Possi, por exemplo, opinam sobre a carreira da filha-cantora. Os críticos de música têm a responsabilidade de avaliar o trabalho das artistas e podem ajudar a orientar uma carreira. Mas, Rodrigo, os seus “dez mandamentos” me parecem problemáticos não apenas porque generalizam e ridicularizam o trabalho de toda uma geração de cantoras. Seria mais pertinente, para um crítico com um trabalho de pesquisa aprofundado sobre a história da música até a década de 1980, pesquisar com maior cuidado a produção musical dos últimos doze anos, não cair em estereótipos, não fazer comparações saudosistas, e criticar o trabalho de cada artista com o cuidado com que tem analisado a música brasileira produzida no passado.

Querida Cecília,
Este meu artigo é irônico, é uma grande brincadeira, uma espécie de advogado do diabo, é justamente para causar reflexão. Óbvio que existem grandes talentos em todas as épocas e eu sou o primeiro a empurrar grandes artistas que possuem talento atualmente. Ocorre que não posso me calar frente à moda do politicamente correto e tenho direito à minha opinião. Vejo muita coisa mal produzida, com repertório ruim, interpretações fracas e limitadas, além de muita imitação. Mas sempre haverá aqueles e aquelas que vão conseguir superar esses problemas e fazer um trabalho bem feito – e releia, por favor, o último parágrafo do meu texto, em que digo que se a pessoa se sentir acima de tudo o que disse antes, que “jogue fora essa lista”.
Abraços,
Rodrigo

Rodrigo,

Obrigada pela sua resposta ao comentário. Acho importante que diga o que pensa e continue o seu trabalho de crítico musical. Apenas discordo da generalização em relação à música produzida tanto no passado como no presente. Compreendo o tom de brincadeira e irreverência na sua “carta”. Mas é preciso generalizar tanto? Será que o humor tem sempre de reproduzir estereótipos?

Eu sou de uma geração com uma década de diferença da sua, tenho 50 anos, e me impressiona o seu gosto musical, que parece muito mais identificado com o da minha geração. Faço um esforço para não comparar, negativamente, a nova geração de cantoras com as grandes cantoras que surigiram na minha adolescência e que até hoje continuam a embalar os meus ouvidos. A minha geração tende ao saudosismo romântico, como se nada de bom na MPB pudesse surgir depois dos anos 1990. Ao exaltarmos apenas as nossa grandes cantoras já consagradas, esquecemos que havia música de má qualidade no passado, como acontece hoje, e deixamos de olhar para os talentos de hoje. Os parâmetros da inovação podem também ter critérios diferentes, dependendo do ponto de vista. Antes havia menos compositoras, as mulheres estão bem mais seguras hoje, embora isto não signifique música necessariamente de qualidade.

PS: Queria cumprimentá-lo pelo blog e pelo seu incansável trabalho de memória e recuperação das nossas “perólas” musicais. Estava procurando livros sobre a MPB, sexualidade e gênero, daí a descoberta do seu blog e dos programas de tv disponibilizados no youtube. Gostei muito, parabéns. Vivo no exterior, em São Francisco, há 21 anos. Sou professora de sociologia na University of San Francisco, onde leciono um curso sobre Brazilian Culture and Society, incluindo textos sobre a música brasileira e o seu papel social e cultural. Você já publicou algum artigo em inglês?

Cecília, compreendo seus pontos de vista. Mas quero deixar claro que não sou saudosista, apenas não consigo me emocionar com grande parte dos artistas novos que escuto por dezenas de razões. Há honrosas exceções, e estes estou sempre chamando para os meus eventos e citando nas minhas entrevistas. Estou até produzindo atualmente uma cantora nova, Marília Bessy. Não quero impor minha opinião e nem ficar antipatizado, até porque não sou dono da verdade. Quero apenas ter o direito de expressá-la, baseado nos 80 mil fonogramas que possuo em meu acervo e na apreciação diária de música, que é meu ofício desde pequeno. Não é um achismo, é uma opinião embasada nos meus critérios. Mas ainda bem que existe democracia. Cada um que defenda os seus pontos de vista, e por sinal os seus também estão bastante bem colocados e eu os respeito. É sempre bom o debate. Quanto a artigos em outra língua, eu não os tenho ainda publicados… Por fim, agradeço seus elogios ao meu blog!
Abraços,
Rodrigo

Rodrigo, dei muitas risadas com seu texto coerente. Assino embaixo tudo o que você publicou acima. Engraçado que há dois dias eu estava a falar com meus irmãos sobre os artistas da nova geração e como há muita estética e caras e bocas no palco e muito pouco talento. Até bem pouco tempo o artista vencia na carreira tão somente pelo seu talento. Quero ressaltar que não sou saudosista, porém é inevitável compararmos a garra das cantoras que foram citadas por ti no segundo parágrafo de seu presente artigo (como você esqueceu a Nara Leão, rapaz?) com as que estão começando. Deste rol, logo depois, surgiu uma das maiores vozes do Brasil, que eu adoro: Jane Duboc. Parabéns pelo belo texto.

Hoje, refletindo aquilo que não foi dito ontem, lhes digo que dava gosto ligar o rádio e ouvir os(as) grandes cantores(as)- cada um melhor que o outro, na sua área. Rodrigo, tenho dois anos a menos do que você e, por coincidência,tinha sete anos quando ouvi as primeiras vozes que passaram a fazer parte da minha vida até hoje. Duas delas me marcaram muito: Gal Costa e Rita Lee. As duas tocavam à exaustão nas rádios, sendo que Rita Lee tinha livre acesso nas pistas da discoteca que havia perto de minha casa. Bons tempos o comecinho dos anos 80. Na minha opinião- os artistas com A maiúsculo não tinham tanta preocupação com a questão da estética, como hoje. Vejo os artistas contemporâneos mais preocupados com academias do que com a arte em si. Lamento e, muito, ver tanta gente fazendo caras e bocas e com tão pouco talento serem divulgados como as grandes sensações da música brasileira. Quem não leu o livro do Zuenir Ventura,”1968- o que fizemos de nós” eu indico que o leia, pois ali uma reflexão bem interessante sobre a decadência e alienação que paira nas mentes da juventude atual.

Rodrigo e Samuel,

Sinto um certo pudor ao postar mais um comentário, não tenho o costume de entrar em blogs, e não desejo abusar do espaço. Queria apenas acrescentar que não discordo de fazer comparações e nem estou de acordo com a falta de crítica no meio musical ou em qualquer meio. Vejo que estamos discutindo três questões diferentes: 1) o direito de expressar a opinião, sem patrulhametos (o motivo da “carta às novas cantoras”); 2) comparações generalizadas e saudosistas entre as cantoras que surgiram no passado e as iniciantes (o motivo do meu comentário e reação ao que interpretei ser uma das teses implícitas na “carta”); 3) comparações são inevitáveis entre os talentos de várias gerações (o enfoque do comentário do Samuel). Concordo com vocês nos pontos 1 e 2. E o meu gosto musical não difere do de vocês. Obrigada pelas sugestões da nova cantora (Marília Bessy) e do livro do Zuenir.

Corrigindo o meu comentário anterior: concordo nos pontos 1 e 3.

Olá, te conheci no metrô depois de ouvir um pedaço da sua conversa com um amigo.
Adorei as dicas!
Bjs

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